Gostaria muitíssimo de comentar criticamente alguns pontos da carta aberta exposta abaixo, visto que é um documento público e sujeito a questionamentos.
Segue o texto:
"A QUEM INTERESSAR POSSA
Prezados irmãos, amigos, companheiros de ministério e a quem interessar possa.
Vimos a público comunicar que desde o dia 08 de fevereiro de 2009 decidimos
nosso desligamento da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) pelas razões que se seguem:
1. É inegável o valor histórico e a contribuição da IPB para o protestantismo brasileiro, contudo, não nos identificamos mais com algumas formas e práticas da política eclesiástica praticada pela instituição. Isso fez com que grande parte da liderança de nossa comunidade decidisse romper com ela, sem nunca abandonar as Escrituras Sagradas, os princípios da Fé Reformada e do governo presbiterial, valores que muito prezamos e que continuaremos a adotar.
2. Entendemos que fomos chamados para ser uma Igreja contextualizada e relevante em sua mensagem e atitude. Queremos viver, de fato e de verdade, o Evangelho transformador de Jesus Cristo dentro de nossa realidade no contexto que estamos inseridos. Portanto, abraçamos de forma harmoniosa os princípios que regem uma Igreja Missional, e é nessa direção que empreitaremos nossos esforços. Em breve notificaremos a todos os próximos passos para o desenvolvimento e solidificação desse novo projeto para o povo cristão brasileiro, salientando que a Igreja Missional transcende ao presbiterianismo e a qualquer outra denominação.
3. Assim, cremos que a Igreja Local é a ferramenta e o instrumento de intervenção divina na comunidade que ela está inserida, influenciando e gerando transformação através de seus relacionamentos pessoais, seus ministérios e serviços, com foco voltado para fora da igreja, valorizando o contexto sócio-cultural em que está inserida.
4. Compreendemos que uma Igreja Missional deve desenvolver um sistema políticoeclesiástico
que não sufoque ou oprima as relações humanas na comunidade da fé, e que corroborem para cumprimento de sua missão, mantendo um ambiente saudável tanto na esfera teológica como na esfera relacional. Isso significa que a Igreja Missional preza os relacionamentos (pessoas) em detrimento das relações políticas e denominacionais.
5. Cremos que somos chamados a proclamar os valores do Reino invisível de Deus, os quais são supra denominacionais e apontam para a soberania do próprio Deus e seu propósito eterno para a humanidade perdida. Usar os valores do Reino para intervenção na sociedade atual, promovendo assim a paz, a justiça e trazendo alegria da salvação para muitos, é a idéia principal de ser missional.
6. Ao consultarmos os líderes de nossa Igreja percebemos que a maioria concordava com essa decisão e que havia muita unidade neste sentido. Por essas razões, na data acima citada, enquanto comunidade cristã, decidimos por nos desligarmos da Igreja Presbiteriana do Brasil. Planejamos fazer isso de forma pacífica e honrosa, valorizando a vida daqueles que estão conosco nessa caminhada, dando a cada um o direito de escolher sobre essa decisão.
Nossa Decisão está apoiada no desejo sincero e profundo de viver a fé cristã de maneira relevante através do ministério da igreja local, e que a ação da Igreja seja guiada pelo espírito do Evangelho, a saber, graça, perdão, verdade, esperança e muita paz. Com isso, a partir de então, continuamos nossa caminhada, agora com o nome de Igreja Presbiteriana Missional do Buritis, com confiança e fé no cuidado divino para nós e nossas almas. Nossa igreja é, portanto a primeira igreja desse novo movimento, a saber, a Igreja Missional Brasileira. Sabemos que muitas outras igrejas nascerão e florescerão dentro dessa visão missional. Isso vem até nós como um chamado e um grande desafio que abraçamos visando o avanço do Evangelho aqui no Brasil e nas nações. Temos a certeza de que Deus, nosso Pai, é, e sempre será conosco.
A Igreja Presbiteriana Missional do Buritis é pastoreada por nós: Rev. Robson Gomes, Rev. Gerson Freire, Rev. Jorge Diniz, pelo novo conselho e Junta Diaconal da Igreja, e as lideranças de nossos ministérios, subordinados à soberana vontade de Deus revelada em suas Sagradas Escrituras.
Por fim, oramos para que Deus abençoe cada um daqueles que caminham e caminharam conosco, e que o Senhor continue abençoando a todos os membros de Sua Igreja, invisível e indivisível.
Fraternalmente,
Rev. Robson Gomes, Rev. Gerson Freire, Rev. Jorge Diniz"
Fim da carta
Quanta prepotência e contradição posso observar! Segue abaixo o desenvolvimento das idéias:
1- A primeira coisa que destaco é o título da carta: “A quem interessar possa”. Desde a primeira vez que li o documento achei o título provocativo e desrespeitoso. Por quê? Uma carta que apresenta um teor, aparentemente, sério e importante e que diz respeito a tanta gente não pode se endereçar apenas “a quem interessar possa”. O principal sujeito desse documento, Robson Viana Gomes, ex- pastor da IPB, tem consciência do grande número de pessoas envolvidas nesse caso (listo aqui apenas alguns: membros da IPJA e IP Buritis (especialmente), a IPB em geral, pais e alunos do Colégio “Presbiteriano”, os atuais membros da Igreja Missional e os possíveis futuros membros) mas faz questão de omitir quem são os interessados e envia o documento apenas para o Presbitério. Assim, o escândalo fica abafado, controlável e a população de fora da situação. O problema foi resolvido? Sim, o Presbitério fez sua parte, mas apenas a liderança envolvida (e outras poucas pessoas) tomou conhecimento de tudo e o Sr. Robson, mais uma vez, teve sua privacidade garantida para continuar o seu “trabalho”. Muita esperteza não? Problema resolvido com a IPB, consciência limpa por ter enviado um documento público, disponível “a quem interessar possa” (mas muito distante destes) e caminho livre para prosseguir seus planos.
Ps. Agora sim, com a criação desse blog o documento PÚBLICO encontra-se acessível para aqueles que possam ter algum interesse nesse assunto. Por que esse documento não aparece no site da Igreja Missional? Ou no site do ¨Colégio Presbiteriano¨ ? Os membros em potencial ou podem se interessar pela história do surgimento da Igreja, não é mesmo?
*(Vale mencionar que a carta está disponível na internet em um blog sem conexões com o movimento Missional)
2- O que a liderança da IP Missional quer dizer no item 2 quando diz: "salientando que a Igreja Missional transcende ao presbiterianismo e a qualquer outra denominação." O que vocês apresentam de tão inovador que a IPB ou qualquer outra denominação, ou qualquer outro cristão não tenha encontrado nas Sagradas Escrituras? Se a Igreja Missional transcende ao presbiterianismo, por que insistem no uso da nomenclatura? Seria uma maneira sutil e ardilosa de enganar aqueles que procuram Igrejas Presbiterianas para congregar? Ou seria um título com teor histórico valoroso, e, assim, importante para a expansão de um colégio lucrativo?
3- Para viver o Item 3 basta ler a história da Igreja primitiva, não há nada de novo nisso.
"Ora, a este Jesus, Deus ressuscitou, do que todos nós somos testemunhas.
De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio declara: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés.Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos?Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo.Porque a promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a quantos o Senhor nosso Deus chamar.E com muitas outras palavras dava testemunho, e os exortava, dizendo: salvai-vos desta geração perversa.De sorte que foram batizados os que receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas;e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum.E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um.E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração,louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos" Atos 2:32-47![]() |
| Igreja Primitiva |
4- Acredito que seria de extrema importância o desenvolvimento de algumas ideias (termos soltos) apresentadas no texto, são elas: “relações humanas”(item 4- linha 2), “esfera relacional” ”(item 4- linha 3), “relacionamentos” ”(item 4- linha 4), “valores do reino” ”(item 5- linha 1 e 3). No item 6, segundo parágrafo Caberia uma explicação de qual é a visão da Missional em relação a graça, perdão, verdade, esperança e muita paz. Que paz é essa que precisa ser intensificada? Que verdade é essa? Graça e perdão em que contexto? Cadê o amor a Deus sobre todas as coisas?
5- Por fim, destaco no item 6 o excerto “Com isso, a partir de então, continuamos nossa caminhada, agora com o nome de Igreja Presbiteriana Missional do Buritis, com confiança e fé no cuidado divino para nós e nossas almas. Nossa igreja é, portanto a primeira igreja desse novo movimento, a saber, a Igreja Missional Brasileira.”
Por que insistir no uso do termo “Presbiteriana” se a igreja está se desligando da comunidade Presbiteriana? Por que se denominarem presbiterianos se a doutrina da Igreja Missional transcende ao presbiterianismo e a qualquer outra denominação? Mais a frente, a carta apresenta um outro objetivo da igreja: “Isso vem até nós como um chamado e um grande desafio que abraçamos visando o avanço do Evangelho aqui no Brasil e nas nações”. Eu Questiono: Avanço do evangelho¨ ou ¨um ambiente saudável tanto na esfera teológica como na esfera relacional¨?
Finalizo afirmando a importância de questionar esse novo movimento que leva o nome de uma igreja tão séria e comprometida com a Palavra de Deus. Sabemos que Deus quer o nosso coração e não o nosso religiosismo, mas congregar faz parte do chamado cristão. Dessa forma, temos que cuidar da igreja que carrega o nome de Cristo. O “evangelho” tem sido largamente difundido... mas manchado, destorcido, sujo e cheio de parcialidades (um evangelho que atende a desejos pessoais). Vemos escândalos atrás de escândalos e ninguém faz nada contra isso! Nosso papel é lutar contra essas seitas que surgem com aparência de evangelho, mas que na verdade são pedras de tropeço que enganam, ferem, destroem e impedem o crescimento do verdadeiro cristianismo. BASTA!
Ps: As histórias já estão aparecendo, verifiquem os comentários do último texto. Obrigado primeiramente a pessoa que teve coragem de descrever o que aconteceu.



